Eu era muito pequeno e eu e milha família morávamos no Edifício Piedade bem diante da praça da República aqui em Belém do Pará. Me lembro que havia muita gente na rua, eu podia ouvir aquele som típico de multidão alegre. Papai me carregou no colo e eu pude ver de relance um carro branco onde de pé um homem de branco acenava sereno para todos. Foi meu primeiro contato com São João Paulo II.
A medida que eu ia crescendo, longe da Igreja por sinal, era impossível em algum momento não dar de cara com sua face serena. Uma face vinda de uma terra distante chamada Polônia que naquele tempo estava subjugada pelo julgo comunista. Na verdade, ele mesmo era seu ferrenho combatente e não há dúvidas de que sua ação foi vital para que em 1989 assistíssemos com grande júbilo a queda da União Soviética. Sobre isso certa vez ele falou:
"A árvore já estava podre. Só deu um leve empurrão."
Com agonia vimos naquela manhã de 13 de maio de 1981. Era algo horrível de se imaginar, pior ainda de ver. Alguém lhe apontara uma arma e lhe atingiu. Porém, Nossa Senhora estava ali. Uma mão puxou o gatilho mas a mão de Maria desviou a bala. E ele após se recuperar, fez questão de ir ao encontro do homem que tentou lhe tirar a vida para levar seu perdão.
Os anos foram passando e de longe acompanhava suas viagens pelo mundo afora. Sempre levando Deus e amor a todo lugar. Então em 1995, Deus me chamou e desde então caminho e que alegria foram aqueles anos com ele conosco. Nós aqui e ele em Roma. Mas espiritualmente, tão próximo de todos nós.
O tempo foi passando, eu fui crescendo, e ele envelhecendo. Mas até o fim nos deu testemunho de entrega e obediência a Deus. Como escravo de Maria como era, entregara tudo nas mãos de Nossa Senhora. De seu sacerdócio ao seu pontificado e até sua própria vida. Totus Tuus era seu lema.
A idade começou a lhe pesar, como todos nós adoeceu e sofria. E corajosamente não se ocultou, mas dividiu conosco sua agonia. Rezavamos diante dele e com ele enquanto agonizava diante de nós. Era doloroso ver, não por seu sofrimento apenas mas porque sabiamos. Era a hora do adeus. Era dois de abril de 2005. João de Deus enfim partia para sua última peregrinação, rumo a morada celeste.
Lembrar de sua partida me desperta lágrimas e boas lembranças. De uma época bela da minha vida, dos primeiros anos de serviço ao Senhor e a Santa Madre Igreja. Sou como tantos outros, da geração João Paulo II. Sou fruto do trabalho e entrega de um padre polonês que um dia foi eleito papa e que hoje, está na Glória de Deus a interceder por nós. Saudades.
São João Paulo II, Ora pro nobis.



Nenhum comentário:
Postar um comentário